Durante a Semana da Mulher,
ouviremos falar de diversos assuntos relacionados à luta por igualdade de
direitos entre os gêneros. Destes diversos, alguns ganham destaque há anos,
como violência doméstica, a Lei Maria da Penha, licença maternidade, mercado de
trabalho para mulheres e direito ao aborto. Pois bem, acontece que a
pluralidade existente nas feminilidades vem sendo esquecida. Neste dia oito de
março, o Plural – Coletivo LGBT pretende lembrar e parabenizar a luta de todas
as formas e expressões de feminilidade.
O Dia Internacional da Mulher foi
criado na II Conferência das Mulheres Socialistas, com o objetivo de denunciar
a situação das mulheres trabalhadoras, com baixos salários, longas jornadas e
condições de trabalho deploráveis. A data oito de março seria uma homenagem a
129 mulheres que morreram queimadas em uma fábrica em 1857, por fazerem greve.
Indiscutivelmente, este marco nasceu da luta por direitos. Uma luta contra a
exploração sexista e capitalista. Mas não só de mulheres heterossexuais essa
luta é feita.
No Brasil, Lésbicas, Gays,
Bissexuais, Travestis e Transexuais são agredid@s e assassinad@s diariamente.
Dest@s, a grande maioria das vítimas são travestis e transexuais. Vítimas do
que chamamos de Transfobia. Além disso, nos deparamos com a cruel realidade dos
tais “estupros corretivos” que vem sendo aplicados a lésbicas e
assustadoramente organizados. Inclusive, em 2011 foi detectado um site que
“combinava” essas ações “corretivas”, ou seja, vários homens que escolhiam e
planejam o estupro de uma lésbica. Denúncias foram feitas, principalmente ao
Disque 100, o disque denúncia de direitos humanos criado pelo Ministério de
Direitos Humanos. Nada foi feito, nenhum criminoso foi identificado ou penalizado.
Percebe-se a repressão do
feminino não só dirigida a mulheres, travestis ou transexuais. Homens gays
sofrem essa repressão quando assumem sua orientação sexual e se portam
efeminadamente. Homens, que nasceram com todas as ferramentas para serem os
machos respeitados e admirados socialmente, não podem em hipótese alguma usar
de estilos e expressões ligadas culturalmente à feminilidade tão desprezível e
inferior. Mulheres lésbicas barram a possibilidade de uso dos seus corpos, os
machos não encontram passagem e se revoltam. Homem não pode ser fêmea e mulher
não pode ser macho.
Se ser mulher lutando por
visibilidade e respeito em espaços heteromasculinizados já é uma tarefa árdua,
ser transexual é mais que isso, é doloroso. As mulheres lésbicas e transexuais
ainda estão muito à margem da sociedade. O mercado de trabalho não aceita a
menina de cabelo curto que só veste roupas consideradas masculinas. Tampouco as
mulheres de ombros largos e quilos de maquiagem na face pra esconder os grossos
tocos de barba. Restam os locais heterofeminilizados, estes considerados
“lugares de mulher”: os salões de beleza e as esquinas. A prostituição se torna,
para travestis e transexuais, não uma opção entre mil, mas a única para o
sustento próprio e muitas vezes da família. Os grandes empresários que batem a
porta na cara dessas lutadoras, à noite deixam suas esposas em casa e saciam
suas vontades reprimidas com aquelas que só consideram mulheres na calada da
noite, quando lhes dão prazer. Os machões que riem da cara das travestis que
frequentam filas de lotérica e fazem compras no supermercado, também reconhecem
um único valor delas na calada da noite, o sexo.
A união entre mulheres, sejam
elas hétero, lésbicas ou transexuais, na luta contra as opressões exercidas
pelo machismo, sexismo e misoginia, é urgente. É necessário compreender que as
problemáticas se encontram na repressão da feminilidade e na construção absurda
de papéis hierárquicos entre os gêneros. Hoje, nós do Plural – Coletivo LGBT
queremos lembrar da luta de todas as mulheres, em suas diferentes expressões de
SER, mas esperamos que um dia o movimento feminista como um todo pense nessa
luta integrada, em defesa de tod@s.
Oscar de Souza Santos
Gay
Técnico de Enfermagem
Acadêmico de Ciências
Biológicas – LP
Militante do Plural –
Coletivo LGBT



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