13 de out. de 2013

II Semana e II Parada da Diversidade de Passo Fundo


No ano passado, quando se pensou em tema para a Primeira Semana da Diversidade de Passo Fundo, Pluralistas sugeriram a apropriação do discurso heterossexista de “Defesa dA FamíliA” inserida ao tema. Mas, por ser a primeira, julgamos necessário criar um tema mais aberto e abrangente, para sentir como seria o impacto e adesão às atividades, e visibilizar ao máximo nossas pautas.

Neste ano, ainda em março, o tema para a Segunda Semana da Diversidade foi posto em discussão em uma reunião com mais de 30 pessoas que se dividiram em grupos e após longa discussão, aprovaram por unanimidade a pluralização do conceito de família. A Segunda Semana da Diversidade que aconteceu de 25 a 29 de setembro de 2013 não mediu esforços para defender aS FamíliaS.


João W. Nery esteve presente já na atividade de abertura e, bem como fez nas duas atividades que protagonizou na Faculdade IMED, incendiou as normas repressivas e inquietou moralistas. Pessoas de barba na cara usavam saias e salto alto andando pelos corredores da faculdade de direito da UPF e da faculdade IMED. Pela primeira vez em Passo Fundo, uma transexual profissional do sexo é assim anunciada, e compõe mesa em debate de um espaço consagrado do ensino superior.

Na sexta-feira, mais de 250 secundaristas discutiram diversidade sexual abertamente conosco no Auditório da Faculdade IDEAU, demonstrando uma imensa disposição de questionar as normas opressoras. 
Professorxs do ensino médio e do superior nos falaram do quanto era necessária a discussão que levávamos até elxs. Teve gente que trocou horários de trabalho e conseguiu participar de todos os debates em todos os locais. Uma secundarista nos escreveu, em um pedaço de papel rasgado: “Simplesmente vocês estão de parabéns, parabenizo pelo trabalho o qual vocês vem trazendo a todos nós (...) É lindo ver como vocês tem coragem de fazer esse trabalho, de trazer a realidade de vocês para nós.” E à noite, foi a vez da comunidade médica ouvir o que aquelxs desprovidxs de muitos privilégios da sociedade heterossexista, tinham a dizer sobre a área da saúde.

Na oficina de confecção de materiais do sábado, pessoas que nunca participaram das reuniões do Plural apareceram, nos ajudaram, conversaram e se integraram. Até desabafaram um pouco sobre suas dificuldades com questões familiareS. O Plural é feito de muita luta, e essa parte de “grupo de apoio” faz parte dessa luta, e é indispensável.

Dormimos sábado com medo de um domingo nublado e chuvoso, e acordamos às 07 da manhã com um Sol que iluminou o Parque da Gare durante o dia inteiro. Iluminou nossas cores, nossas caras à tapa, nossas vozes em gritos por liberdade, nossa cultura. Mães e pais com filhxs acompanhando o dia todo. Centenas de pessoas, e quando a marcha se desloca em direção à Avenida Brasil, se percebe nitidamente uma multidão de mais de 5 mil lutadorxs. Um verdadeiro exército na guerra contra as opressões.

De quarta a domingo, a Semana da Diversidade movimentou mais de 6 mil pessoas. Uma organização que contava com cerca de 30 Pluralistas. Encerramos o ciclo de debates e atividades com a certeza de que muitas pessoas saíram de uma zona de conforto do senso comum opressor, e outras tantas foram instigadas e ao menos colocaram um pé para fora dela. E nossa luta por liberdade continua!

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