A Rua Independência daqui de Passo Fundo - RS é palco de uma enorme reunião da galera jovem da cidade em todas as sextas e sábados, principalmente. Todas as tribos cruzam por lá, já que bares pra todos os gostos se intercalam. É uma rua bastante frequentada por sexodivers@s, bem como a Praça da Cuia, na esquina com a Bento Gonçalves. Acontece que nem só de boas histórias essas noites são feitas. Sabemos de alguns casos em que os garçons do Potatoes "convidaram" casais de gays e de lésbicas a se retirarem do local, simplesmente por estarem de mãos dadas. Sabemos do surgimento de grupos violentos que agrediram negros e homossexuais, na rua e na praça. Além de termos encontrado resistência com a direção de outra casa noturna da rua, na tentativa de usá-la para fazer o Sarau Literário de aniversário do Plural - Coletivo LGBT, resistência explicitamente preconceituosa.

Nesse contexto, decidimos marcar o dia 13 de abril, dia do Beijo, com um protesto de múltiplas causas. Um beijaço contra Feliciano - o Racista, Homofóbico e presidente da (c) omissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados - , contra a repressão no point mais movimentado da noite passofundense e pela liberdade de amar e de beijar onde bem entender. Foi a primeira vez que a Rua Independência viu, e que a cidade sediou, um beijaço de todas as formas de amor.
Cerca de 80 pessoas se reuniram na esquina da Independência com a Bento Gonçalves, na calçada da Praça da Cuia, escreveram frases em cartazes que colaram em suas roupas, e desceram até a frente do bar Potatoes, beijando contra o preconceito por cerca de cinco minutos. Após o beijaço, que teve um formato de flashmob, a rua se esvaziou rapidamente, e os últimos que ficaram por ali ainda receberam parabéns e palavras de apoio de pessoas que se divertiam pela rua.
Passo Fundo parece acordar para as lutas sociais. O ato público contra o aumento das passagens reuniu mais de 500 estudantes, trabalhadores e trabalhadoras na semana passada. Neste final de semana, LGBT's e casais heterossexuais apoiadores da luta mostraram seu afeto sem medo algum, na rua mais movimentada de um sábado à noite. A galera percebe que tarifas de transporte público sobem em decisões de portas fechadas. Bem como fundamentalistas religiosos racistas, homofóbicos, misóginos, machistas e corruptos são eleitos antidemocraticamente para representar, ou melhor, atacar minorias. A galera percebe que a palavra "democracia" precisa fazer sentido, e o jeito é sair pra rua.
Oscar de Souza Santos
Gay
Acadêmico de Ciências Biológicas - LP
Ativista do Plural - Coletivo LGBT de Passo Fundo


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